domingo, 1 de fevereiro de 2015

Chuva chove


Dizem que os opostos se atraem, mas eu não tenho tanta certeza assim. E é engraçado, porque ele sempre questionou o fato dela querer alguma coisa com ele, e em contrapartida, ela também nunca soube explicar porque cismava tanto em acreditar em um garoto tão mais novo que ela - pelo menos era o que parecia. Não que idade importe muita coisa, mas era estranho quando ela passava na casa dele madrugada e ele contava que tinha colocado travesseiros embaixo do edredom para que seus pais não notassem sua saída. Distinto também era quando ele contava sobre as notas ruins no colégio e ela falava sobre a dificuldade das provas na faculdade. Ele 17, ela 20. Ele fumava escondido e ela fingia que não se importava. Ela fingia ser forte e ele admirava isso. 

Noites de conversa, manhãs de bom dia e tardes programando quando seria a próxima vez. Almoços em botecos e jantares em restaurantes de primeira linha. Eles nunca seguiram um padrão, tudo o que faziam juntos era bom. Jorge Ben, Kinder Chocolate, CML, cafuné e conversa boa. Os dois de outubro, os dois de escorpião. Talvez essa história tenha mais coincidências do que os dois pudessem imaginar. "Tá acordado? Tô passando aí pra te ver", quantas vezes ele não escutou essa frase de madrugada? Sem julgamentos, era nele que ela via paz.

Um moleque, cheio de ideias fortes e pensamentos revolucionários. E quer saber?! Talvez ela não tenha visto absolutamente nada mesmo, apenas sentido. Coisa de alma, de pele. Era bom simplesmente não pensar em nada, poder ser quem ela era sem que ele se importasse com isso. 

Foi bom guardar um bilhete de despedida e lembrar do seu carinho - aquele com a ponta dos dedos na nuca. E ó, eu sei que nenhum dos dois sabe o dia de amanhã, mas enquanto a música tocar e os pensamentos permanecerem no mesmo lugar, nós dois continuaremos lá.

"Por favor, chuva ruim, não molhe mais o meu amor assim." - Jorge Ben

Ju Lima

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