A ansiedade controla os quatro cantos da minha vida e me coloca muito mais longe de qualquer lugar que eu queira estar. Ela faz com que eu sinta o meu coração pulsar na boca, como se algo bagunçasse tudo por dentro e meu próprio corpo impedisse que isso fosse colocado para fora. O toque fica mais grosso, os ruídos ficam mais pesados e, por menor que seja, é extremamente incômodo. Ás vezes tenho a sensação de que meu olho perde o controle. Continuo parada mas é como se ele estivesse rodando. A ansiedade me faz acordar de madrugada com a sensação de que estou perdendo tempo. Aliás, ela me lembra todas as manhãs que eu tenho uma caderneta com vinte e sete pendências para organizar minha vida e ela aumenta a cada piscar de olhos. Nunca diminui. A ansiedade me faz perder mais de um quilo em cada semana de crise. Me prende dentro de casa porque eu acordei as 11h, afinal a madrugada foi em claro, e é tarde demais pra tentar resolver alguma daquelas vinte e sete pendências, mas que agora já somam trinta. A ansiedade me faz gritar por dentro, mas sorrir por fora. Me faz ficar quieta quando a vontade, na verdade, é explodir. Ela faz com que eu engula todos os meus pensamentos guéla abaixo e sinta medo de mim mesma. Mas tudo em silêncio, estática, de forma rasteira. A ansiedade me deixa paranóica e insegura, me faz fingir que coisas importantes não existem porque talvez eu não saiba lidar com elas. A ansiedade faz com que eu não queira falar sobre ansiedade. Me faz caminhar, caminhar e caminhar, e parecer estar parada exatamente no mesmo lugar. A ansiedade me deixa muda e me afasta. São milhares de surtos silenciosos, um universo de sentimentos e eu mal consigo falar.
Juliana Lima - @jubzlima



