terça-feira, 26 de agosto de 2014

Pra quê falar dos erros, se eu posso falar das flores?


A luz entrou pelas frestas da janela. Cortinas brancas, um quarto escuro e alguns pássaros espalhados pelas paredes. Ela sorriu, virou de lado, arrumou o travesseiro e abriu levemente os olhos. O som do teclado ecoava no quarto ao lado: Claire de Lune. Romântico. Inspirador. Leve. Não havia como ser diferente. Levantou e leu a mesma mensagem escrita á alguns dias no espelho do banheiro: 'estar em paz, muitas vezes é melhor do que estar certo'. Lavou o rosto, prendeu os cabelos como quem apenas quer tira-los dos olhos e viveu. A cortina foi aberta, o sol penetrou sua pele e os seus olhos brilharam novamente.

A partir daquele momento, os dias começaram a passar com tanta leveza que os problema nem eram percebidos. Não importava quantas vezes seria preciso aquele ritual para que ela se sentisse bem. Não havia discussão que desequilibrasse sua paz interior. Essa, definitivamente, era a companhia que ela mesmo gostaria de ter por perto.

Para alguns, aquele era apenas mais um dia como outro qualquer. Mas para ela, a partir de agora, aquela era apenas mais uma entre tantas outras mulheres que são surpreendidas pela vida, perdem a graça, mas encontram motivos para se amar! Nós somos mais comuns do que imaginamos. E nossos problemas estão tão presentes na vida do outros, que não fazemos ideia.

Naquele dia, ao voltar pra casa, ela comprou rosas e escreveu em seu caderno:

"Pra quê falar dos erros, se eu posso falar das flores?"

Muito obrigada.

Ju Lima